quinta-feira, fevereiro 07, 2013

As razões para dificuldade na implantação do embrião

Quando decidimos engravidar , a primeira preocupação em relação a fertilidade que surge é com a ovulação. Muitas mulheres se mostram paranoicas em relação a isso e se esquecem que embora essencial, a ovulação não é a única responsável pelo sucesso ou fracasso dos treinos. 
Meses, as vezes anos a espera de uma gravidez que não surge, exames hormonais feitos e refeitos, tudo OK com a ovulação e então surge a pergunta. Porque não consigo engravidar?

Para que uma gravidez ocorra, tudo tem que estar trabalhando perfeitamente. Ovários, trompas e útero tem que fazer seu trabalho de forma correta e ordenada. A hipófise também é parte importante, ela é responsável pela liberação de hormônios essenciais ao processo.
Ter a liberação adequada dos hormônios envolvidos, liberar o óvulo e esse ser conduzido livremente até o útero de nada adiantará se houver alguma dificuldade de implantação do embrião no endométrio.

Exames devem ser feitos para se certificar de que a cavidade uterina não tem anomalias, pólipos, miomas ou aderências que possam dificultar a implantação do embrião e seu desenvolvimento
O exame mais indicado para uma investigação minuciosa do útero é a vídeo histeroscopia (visualização da cavidade do útero através de endoscópio), que além de diagnosticar as dificuldades citadas, pode encontrar processos inflamatórios como endometrite não acusado em outros exames.

Outro empecilho é ausência de algumas proteínas do endométrio que auxiliam a implantação do embrião, facilitando esse processo. Através de pesquisas, já foram encontradas mais de 50 proteínas, porém as mais comuns são a Claudina - 4 e LIF ( fator inibidor da leucemia ou fator essencial para implantação). Quando encontradas em níveis anormais, a implantação fica prejudicada. Não chega a impossibilitar a implantação, mas reduz as chances de sucesso. Embora esse tipo de diagnóstico seja raro, e só deva ser pesquisado em situações especiais, há que levar em conta essa possibilidade.

A espessura do endométrio é um fator crucial para o sucesso da implantação do embrião. Em casos de afinamento do endométrio, principalmente após indução de ovulação, é necessário reposição hormonal através de estradiol, progesterona, aspirina entre outros medicamentos  vasodilatadores que deverão ser indicados pelo médico responsável.



Algumas outras questões podem prejudicar a implantação do embrião, uma delas é a hidrossalpingeprocesso inflamatório que dilata as trompas e provoca a formação de conteúdo líquido no seu interior, prejudica o ambiente uterino, dificulta a implantação dos embriões e aumenta a incidência de abortos. A retirada da trompa afetada aumenta significativamente as taxas de gravidez, pois o conteúdo que neles existiam e que provavelmente escorria para o interior do útero impedindo a gravidez, deixa de existir. O diagnóstico de hidrossalpinge pode ser feito pelo ultra-som, histerossalpingografia e pela videolaparoscopia.


A qualidade dos óvulos também é um fator importante. Óvulos "fracos", mesmo que fecundados, muitas vezes não conseguem se transformar em bons embriões e acabam por não evoluir. O ácido fólico é a única vitamina que age diretamente na qualidade dos óvulos. Por isso é importante que o uso dessa vitamina comece no mínimo 3 meses antes da ocorrência de uma gestação.
O ácido fólico também pode ser encontrado em alimentos como espinafre, agrião, feijão, levedo de cerveja, soja, fígado e verduras verdes escuras em geral.

Outro motivo pouco conhecido é a dificuldade do óvulo fecundado se libertar, sair da membrana que o envolve para só então conseguir se fixar no endométrio. Em casos de reprodução assistida como a FIV, é possível utilizar uma técnica chamada assisted hatching, que consiste basicamente em fazer um pequeno orifício nessa membrana, facilitando a saída do ovo fecundado. Para os outros casos, IA e fecundação natural, o que beneficia esse processo é a ingestão de ômega 3 e 6 que trabalham a favor da ovulação. Encontradas em alimentos como salmão, óleo de canola, azeite, sardinha, amêndoas e linhaça, são as gorduras benéficas ao organismo. Esse tipo de gordura permite que a membrana que envolve o óvulo se mantenha mais propícia à penetração do espermatozoide e a saída do embrião. Torna essa membrana mais fluida.
Tatiana da Costa


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