quinta-feira, dezembro 12, 2013

Compartilhando um segredo

O Blog Mãe à Flor da Pele não nasceu por acaso. Esse espaço foi idealizado para que nenhuma mulher passasse pelo que eu passei. Aqui compartilhamos histórias, informações úteis, nossos segredos, dores e angústias. 
Todos os dias recebo inúmeros emails com pedidos de ajuda e histórias pessoais. Segredos, confissões, desabafos, histórias que deixaram marcas no corpo e na alma de muitas de nós. Hoje o relato, o desabafo, o segredo compartilhado é meu. Um passado nem tão passado assim, que ninguém nunca soube, e que me faz pensar todas noites, como teria sido se o final fosse diferente.

Minha primeira gestação não durou mais de 6 semanas. Tive uma gravidez, que hoje sei, era química, e infelizmente tudo acabou muito rápido e não tive muito tempo entre o positivo e o aborto. As marcas foram profundas. 

Desde pequena, sempre tive muito medo de não poder ter filhos, não sei exatamente porque esse fantasma me assombrava, mas me acompanhou durante a infância e adolescência. Quando consegui esse primeiro positivo, tão inesperado, foi como se uma flecha fosse arrancada do meu peito. Enfim eu sabia, eu teria filhos. 

Mesmo depois da perda, essa certeza não me abandonou, e segui com ela dentro do meu coração. 
Após "longos" (tentante ansiosa) 4 meses de casada, consegui engravidar e após um parto prematuro bem complicado, recebi o primeiro maior presente da minha vida, minha filha. 

Minha intenção era que, assim como eu e meu irmão, a diferença de idade entre eles não fosse grande, mas quis o destino que 4 anos se passassem entre o nascimento de um e de outro.

A segunda gestação não foi nada fácil, muitas internações e problemas aconteciam em sucessão. Foram dias e noites regados de muito medo e incerteza. 
No hospital era tratada como um número de leito, e por alguns como a mãezinha do abortamento, ou a mãezinha do sangramento ou ainda da internação recorrente. 
Respostas? 
Nunca as encontrei ali com quem entendia.
Médicos e enfermeiras, talvez por acharem aquilo tudo sempre tão banal e comum, não se comoviam com a dor e com a luta de nenhuma de nós, mãezinhas lutando pela vida de seus filhos.

Me lembro de chorar por muito tempo embaixo do chuveiro, agarrada a barriga, pedindo a Deus que cuidasse de nós. 
Enfim, não sem muito luta e sofrimento, meu filho nasceu saudável e perfeito. 
Embora a indicação para o meu caso ( indicação médica) fosse de laqueadura, nem eu nem meu marido, aceitamos bem a ideia e decidimos que minha fertilidade seria preservada.

Fiz uso do mesmo anticoncepcional durante 5 anos e nunca tive problemas. Após algum tempo a única coisa que havia mudado era o fluxo, que se apresentava bem menor que o de costume. 
Tudo corria bem até que em um determinado ciclo, fiz a parada e simplesmente não menstruei. A princípio não me preocupei pois sabia que esse tipo de acontecimento era normal para quem usa durante muitos anos o mesmo contraceptivo. Esperei 15 dias e nada. 

A essa altura já estava me prevenindo de outra maneira  para garantir que uma gravidez não ocorresse. Resolvi procurar meu médico que muito atencioso, pediu que eu não me preocupasse e solicitou um beta por desencargo de consciência.

Passei pela triagem com uma enfermeira padrão que me perguntou se  eu desejava fazer um teste de urina antes do beta de sangue. Muito tranquilamente aceitei, e lá fomos nós mergulhar a tirinha teste na urina recém colhida. Pergunta vai, pergunta vem e  de repente vejo o semblante da enfermeira mudar. 

"Tatiana, seu teste deu positivo."

Impossível dizer o que senti naquele momento. Foi um misto de medo, alegria e pânico. 
A minha vontade sempre foi ter 4 filhos, tenho dois, o terceiro estava a caminho e minha vida e a dele corriam perigo. 

Colhi sangue para o beta quantitativo e foi enviado para o laboratório com um pedido de urgência.

Você deve estar se perguntando porque todo esse desespero, afinal meu desejo eram 4 filhos, eu estava grávida, todos deveriam estar felizes. 

O problema é que sou hipertensa e diabética. Tomo medicação controlada todos os dias, e minhas gestações foram muito, muito difíceis por conta desses problemas. 
Perto dos 35 anos, com muito sobrepeso e complicações de saúde, ninguém podia garantir a minha vida e nem a vida do meu bebê.

Comecei a pensar nos meus filhos, o que seria deles sem mim, e o que seria de mim  longe deles. No mesmo instante me peguei imaginando como seria o rostinho do bebê que estava por vir, que nome ele teria, seria menino ou menina?. Chorei muito naquele momento. Chorei de alegria, chorei de medo, chorei por mim e pelos meus filhos. 

Voltei pra casa calada, não disse nada a ninguém. No dia seguinte, recebi pela manhã uma ligação do posto médico, e fui até lá. Estava confirmado, eu estava grávida.

Mais uma vez voltei pra casa sem dizer nada a ninguém. Todas as noites pedia sabedoria a Deus, para que conduzisse minha vida e minha história da melhor maneira, estava sim com muito medo, mas minha vida estava entregue nas mãos Dele, e sua vontade seria feita independente da minha. 

Três dias se passaram sem que ninguém soubesse do que estava acontecendo, e foi durante uma festa na escola da minha filha que comecei a sangrar. Só quem já passou por isso sabe o tamanho do desespero. 
Naquele momento nada mais importava, só a vida do meu bebê. Contei rapidamente tudo ao meu marido, que em choque me acompanhou até o pronto atendimento. Infelizmente nada pode ser feito. Era uma gestação de aproximadamente 4 semanas que não pode progredir.

Engraçado como toda dúvida virá certeza no momento em que você não tem mais a opção de agradecer pelo sim ou pelo não. 

Eu havia perdido meu bebê, isso abriu um buraco no meu coração. Sim , eu teria dado minha vida por ele, assim como daria por qualquer um dos meus filhos. 
Mas Deus é sábio, e trabalha sempre pelo melhor, mesmo que isso não seja imediatamente visível aos nossos olhos. Eu havia deixado minha vida em suas mãos, e Ele fez o que tinha que ser feito. Não sei como teria sido, talvez tudo tivesse corrido bem, talvez não. Qual o caminho essa história poderia ter traçado? Só mesmo Deus é quem sabe.


Mas uma dúvida ainda existia. Porque o aborto ? 
A explicação é simples,  o endométrio fino demais pelos anos de anticoncepcional impediram que a gravidez progredisse. 

Processo no laboratório ? 
Sempre tomei certinho, nos mesmo horários. Tinha uma rotina de anos que sempre funcionou muito bem. 
Na bula diz que o risco de gravidez é de apenas 2%. Fui parte desses míseros 2%. 

A partir desse dia me tornei adepta do MOB (Método de Ovulação Billings) onde você, guiada pelos sinais do seu corpo, identifica os períodos de risco. Costumo utilizar testes de ovulação como contracepção também, embora eu tenha todos os meses muco cervical bem visível.

Dois anos se passaram desde esse triste episódio, e ninguém além de mim e do meu marido, sabiam do ocorrido. Hoje divido com vocês esse momento que foi sem dúvida, um dos piores da minha vida. 

E é bem como dizem por aí, em casa de ferreiro o espeto é de pau. 

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3 comentários:

  1. Tatiana perdi meu bb c 39 semanas de uma gestaçao absolutamnte saudável sem nenhuma explicaçao. Faz tres meses sofro e choro todos os dias...estou vivendo dias bastante dificeis.

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  2. tatiana me ajuda!
    fiquei cm meu namorado dia 1 sem camisinha tomei o remedio anticoncepcional no oitavo dia,sendo que acabei esquecendo 3 dias..no terceiro dia tomei os 3.sendo que dpois esqueci de tomar mais quatro dia.acha que posso engravidar?

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  3. Realmente é muito delicado qualquer coisa desse tipo, muita força para todas as mães que passam por isso. :(

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