quinta-feira, junho 20, 2013

Relato de uma tentante Parte IV

Seis meses já haviam se passado e nada de engravidar. Eu sabia que uma

hora teria de encarar meu passado de frente e saber exatamente qual era minha condição atual. Seria possível ser mãe?


Eu esperava que sim. Desejava com toda força que não fosse necessária, uma investigação mais profunda sobre minha fertilidade, pois isso significaria abrir novamente uma ferida, que embora eu soubesse, jamais cicatrizaria, já tinha suas defesas. Mas Deus, embora seja um Pai amoroso, não deixa seus filhos sem as lições necessárias para sua evolução. E Deus ainda estava agindo em minha evolução.

Consultei meu ginecologista que prontamente me pediu alguns exames de praxe. Nada que eu já não soubesse foi constatado. Eu tinha apenas uma trompa e um ovário capaz de cumprir sua função. Meu útero aparentemente não apresentava problemas. Ele então me receitou algumas vitaminas e alguns fitoterápicos para trabalhar a ansiedade que a essa altura, já tomava conta de mim.
Eu estava sim, muito ansiosa, mas não era a pressa em ter meu bebê, embora fosse o que o eu mais queria, não era isso que me atormentava. Minha ansiedade vinha pelo medo da justiça de Deus. E se Deus achasse que eu não merecia uma segunda chance? E se Ele estivesse disposto a me usar como exemplo, fazendo de mim uma árvore seca, que jamais daria frutos?

Minhas orações mudaram de tom, passei de pedidos de saúde e agradecimentos por um bom dia , a súplicas desesperadas, regadas a crises de choro e auto punição.

"Sim Deus, eu sei, não sou merecedora de um anjo do Senhor, mas pense em meu esposo, homem de bem, correto, que sonha em ser pai."
É , eu estava tentando barganhar com Deus. Eu tentava desesperadamente fazer com que Ele, Deus , tivesse uma crise de consciência, e me permitisse a maternidade para que um inocente não pagasse pelos meus erros.

Mais seis meses se passaram, e já com um ano de tentativas frustradas, resolvemos, eu e meu marido, que tentaríamos então, os tais indutores de ovulação que tanto se ouvia falar. Seus efeitos colaterais podiam ser desastrosos, mas estávamos dispostos a pagar o preço. Três meses de indução, acompanhada de ultrassons seriados e nada. Descobriu-se que meus folículos não liberavam o óvulo, então fizemos mais três ciclos de indução  com ultrassons seriados e injeções de hcg, e de repente ......nada. Frustração, tristeza, decepção , desespero.

Meu médico disse que não teria mais como adiar e que seria necessário a realização de um exame doloroso de nome estrambólico. Foi então que passei pela dolorosa histerossalpingografia. No momento do exame senti que algo estava errado, o semblante do médico não permitia enganos.

Dois dias depois, fui buscar o resultado do exame  e me encaminhei direto para o consultório do meu ginecologista. O resultado não podia ser pior, minha trompa tinha aderências que impediam a passagem do óvulo e uma cirurgia teria de ser feita. Ok Deus, se tenho que passar por mais essa prova, estou pronta e disposta.

Em 2006 me submeti a uma videolaparoscopia para desobstrução da única trompa que me restava. A cirurgia foi um sucesso e em novembro do mesmo ano, engravidei.

Explosão de felicidade. 

Comprei um par de sapatinhos verdes que eu namorava a tempos, embrulhei com todo carinho e fui buscar meu amor no trabalho. Ele entrou no carro e logo percebeu meu sorriso fácil, mas não seria ali, dentro do carro que eu lhe daria a notícia mais importante de sua vida. Eu já havia cometido esse erro uma vez, e sabia que carros, não eram bons lugares para notícias importantes. Nos encaminhamos para nosso restaurante preferido e foi ao som da música que contava nossa história de amor(Old Habits Die Hards- Mick Jagger), que ele recebeu a notícia, ele seria pai e eu a mãe de seu filho.

Eu vivia o momento mais perfeito de toda minha vida e era imensamente agradecida a Deus por isso. Sucesso, fim de história, obrigada por acompanharem, voltem sempre !! Fácil assim ? Nem de longe.

Duas semanas após a confirmação do positivo, fomos para nosso primeiro ultrassom. Coração batendo forte, parecia querer fugir pela boca. Papai babão se acomodou ao meu lado e olho grudado na tv que lhe mostraria sua joia mais preciosa. Mexe daqui , remexe dali, mais uma passadinha de gel, ui, frio na barriga, cadê meu bebê?
-Mãe, as notícias não são boas!

Escuridão total, nada ao redor, tudo gira e o médico continua.

-Sua gravidez é ectópica. Você será encaminhada imediatamente para o hospital, onde será feita a retirada do embrião e da trompa.


Perdi o chão, meu mundo desabou sobre minha cabeça!


Continuem ligadas meninas , a história aqui , começa a tomar seu rumo final. 
Amanhã parte V para vocês. 
Parte I Aqui
Parte V Aqui
Pé no chão e esperança no coração ! 
Tatiana da Costa 

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5 comentários:

  1. Respostas
    1. Normalmente é indicado nessas janelinhas no fim da história no Poderá gostar também:
      Mas vai o link pra vc http://maeaflordapele.blogspot.com.br/2013/06/relato-de-uma-tentante-parte-v.html

      Boa leitura
      Abraço !

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  2. que historia mentirosa ,"minha alma dilacerada"parece frase de romance de banca .ridicula

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    1. A mentira está dentro do coração de quem lê e não de quem escreve.
      Boa sorte pra vc!

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